mensagem

 

o início de um hábito é como um fio invisível mas todas as vezes que repetimos o hábto , reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo, que nos prende de forma irremediável em pensamentos e ações 

 

 

domingo 30 outubro 2011 22:06


QUASE MARINHA

 
 
Desta luz, mais branca
do que o branco - ou
do que o leite, como diria Safo -,
o que pode dizer-se
é isto: um dia
o céu
acordou sem nuvens e a linha
do horizonte, de tão fresca
e tão nítida
e tão próxima, era o parapeito
onde a infância vivia
debruçada. E era
ali que o voo
das gaivotas começava.

segunda 29 março 2010 21:06 , em LITERATURA


ORA



Quando não entenderes o porquê de tudo isso,
Quando não compreenderes como foi que a situação chegou a esse ponto,
Quando te desesperares da própria vida em função do sofrimento,
Ora.

Quando teu pai abandonar-te, sem dar-te chance de explicar,
Quando tua mãe não tiver misericórdia, julgando-te sem compaixão,
Quando tua esposa acusar-te injustamente, sem que tu sejas culpado,
Ora.

Quando teu marido não mais amar-te,
Quando teus filhos de tua casa forem embora,
Quando teus amigos, sem saber, julgarem-te sem que sejas culpada,
Ora.

Quando tua luta estiver tão grande,
Quando o desespero envolver teu pranto,
Quando a amargura colorir teu rosto,
Quando a solidão tornar-te teu manto,
Ora.

A oração é o começo, ela é o fim também,
Quando não conseguires cantar porque não sentes,
Ou não conseguires ler, porque não podes,
Nada poderá impedir-te de orar ao teu Pai bendito.

Ele, com fidelidade,
Jamais te abandonou;
Mesmo no desespero do teu andar solitário
Ele ao teu lado continuou.
Mesmo quando desististe de ti próprio, Ele não descartou-te
E foi contigo, passo a passo, a guiar-te, a assistir-te.
"Não entendes isto agora" disse Ele,
"Entenderás depois"

Se por erros cometidos, ora e pede perdão.
Se por mágoas infinitas, ora e abandona-as para sempre.
Se por dúvidas sem nexo, ora e esquece-as.
Se por dívidas sem fim, ora e paga-as.
Se por recursos que não tens, ora e pede-os
Se por trabalho que te falta, ora e procura-o

A oração é o remédio,
ela é também consolo.
A oração consegue ir
onde a dor, a mágoa e o grito não vão.

Grita bem alto e não serás ouvido;
Ora baixinho e o Senhor te escutará.

E quando menos perceberes
Teu problema terá ido,
Teu coração estará tranqüilo
E tua mente bem clareada.

Porque quando tu oras ao teu Pai
Ele toma teu fardo para Si
Retira a dor e o peso dos problemas
E devolve-te o fardo leve e suave,
repleto de flocos de esperança
E sementes de felicidade.

Se nunca experimentaste depender só de Deus,
Aproveita tua dor
Aproveita o desespero
E ora.

segunda 29 março 2010 20:59


TROCADILHOS NO AR

Blog de blogdanil :pensamentos, TROCADILHOS NO AR

TROCADILHOS NO AR   ***

Adelmario Sampaio

 

Busquei os teus elementos

No tumulto desse

bar

E vi-me quase ciumento

Despertas cobiça

no ar

A minha é como tontura

Ou náuseas nesse

mar

 

Jogando com sentimento

Como garrafas

ao mar

Livre-me destes tormentos

Sem que me falte

o ar

Que alegre eu comemore

Com teus amigos

de bar

 

Só vejo teu sentimento

De adolescente

no bar

Que sem nenhum tormento

Jogando palavras

ao ar

Rosto e cabelos ao vento

Como uma crina

de mar

 

Vivesse o meu sentimento

Toda incerteza

de mar

Afoga os meus tormentos

Como em garrafas

de bar

E tenho como respostas

A mesma falta

de ar

 

Hoje passas com o vento

E sinto o orgulho

no ar

Procuro teu sentimento

Como um amigo

de bar

Mas quem sou eu pra você

Se teu desprezo

é mar

terça 02 março 2010 21:04 , em LITERATURA


UMA PARÁBOLA DOS HOMENS E DAS VESPAS



Aquelas vespas para o homem não existiam até que ele se aproximasse delas e vê-las. Talvez pudesse mesmo viver sem saber da sua existência até aquele momento. Mas as conheceu, as defrontava e agora a indiferença e a inocência não poderiam ser mais a sua cúmplice do pecado de ignorá-las. O vespeiro reluzia naquele sol, o som, abafado pela mata, repetia quase num mantra natural de horror o zumbido que faziam. A curiosidade instalava na mente daquele sujeito guiando-o, não era a inocência que o guiava, nem o caos, mas aquele sentimento último do homem que o fez cruzar mares longínquos atrás de aventura, apenas ela, a curiosidade. O que havia em meio aquele vespeiro? Como viviam e quantas dores já causaram? As perguntas que surgiam eram das mais mórbidas possíveis, como se um ente maligno se apossasse daquele corpo a fazê-las em seu ouvido. Queria entender até a última parte daquilo que via, desfrutando do prazer pelo novo e pelo diferente.
Mas da mesma forma que ao vê-las não poderia se tornar indiferente, elas por sua vez não se permitiam também a ignorar a presença daquele observador. Zumbiam mais longe da sua casa, como se prontas a atacar a menor aproximação do estranho que apenas conjeturava as idéias profanas. A reação era normal, se apresentavam um invasor e um defensor, pois para a mente racional do invasor todo aquele zumbido formavam um corpo único e amórfico, não distinguia seres outros naquele meio.
Mas o homem se perdia nos pensamentos e mais ainda nas suas dúvidas, será que devia colocar a mão? Se fosse machucaria-se sem motivo aparente por algo que não o pertencia, ele mesmo sabia se não as tivesse encontrado poderia viver sem aquilo, mas as palavras do início renovavam-se, mas com dúvida, com pesar terrível de se machucar e isso não desejava, a sua mão já era calejada de dores. Assim sendo, as vespas mesmo não fazendo nada, só a sua mera presença já tinha mudado a linha de raciocínio do homem, ele se questionava como um louco, quem poderia se apresentar como um invasor em potencial poderia ser o homem, mas as vespas em si também detinham poder sobre o aquele que observava. As vespas entravam na mente do homem, não porque quisessem, pois vespas não querem cuidar de nada além de sua própria morada. Mas pela sua simples presença, representando um enigma, ao mesmo tempo tão simples e tão complexo para a cabeça daquele sujeito. Simples sim, pois elas eram vespas e nada mais, não tinham jeito de abelhas e nem de mariposas e mostravam toda a sua periculosidade com os seus brilhos amarelados. Não existia, para as vespas então questão última, apenas o risoc inerente de um invasor e que todas dariam o seu veneno, a sua picada e a sua vida para proteger aquilo que seria por direito dela e a que as manteria.
O homem não pensava assim, não no meio da sua complexidade, não a complexidade física, mas a mental, queria e desejava algo mais. Precisava de uma verdade última ou experimental sobre o quê via e o que sentiria se pusesse a mão ali. Nem todas as vespas são iguais, mas o que faz vespa ser vespa? Isso o assolava. A resposta poderia ser simples, mas não para ele, queria a complexidade e se perdia nela, diante de algo que seria simples de se explicar: elas eram vespas, por serem vespas e terem características externas iguais às vespas. Ele queria algo a mais. Assim a invasão das vespas no homem se concluiu, destruindo as suas próprias verdades do que seriam vespas, o homem só tinha uma coisa a fazer.
A sua mão entrou, a princípio havia muito vento e algo meio viscoso e rio no fundo, lembrava um pouco o sangue, mas o homem sabia que era apenas imaginação. Depois dor, no início no braço e depois em várias outras partes do corpo. As vespas se defendiam com violência diante do estranho. O estranho se defendia do outro estranho com a destruição daquilo que era verdade para as vespas, aquilo que realmente se importavam, que dariam a vida em defesa e se perderiam e morreriam se não as tivesse, a sua morada. O homem num ataque histérico abria combinando a sua dor, com as das vespas que lutavam resistiam e caiam muitas pelas sovas que voavam no homem. As suas mãos, ensangüentadas, abriam e reviravam do avesso àquilo que era escuro e pútrido no vespeiro, matando a rainha que lá morava, conhecendo, através da dor, aquilo que se escondia de tudo e de todos.
Talvez este não fosse o único caminho para se conhecer o vespeiro, mas naquele momento se descobria a única forma plausível de aprendizado, pelo caminho do embate e da superação, que necessitava do enfrentamento de ambos naquele campo de guerra. As vespas caiam, muitas mortas, outras ainda calejando e com algumas asas quebradas, mas depois da destruição de sua casa e rainha não viveriam por mais tempo do que algumas horas ou talvez dias, para algumas mais teimosas. No final, as vespas mortas serviam de alimento para formigas e vermes que comiam os seus corpos, deixavam de ser vespas naquele momento, passavam a ser agora novamente parte de um todo, mas isto não duraria para sempre. Enquanto o homem, este ferido, cansado e até mesmo agradecido por alguns conhecimentos ganhos, não podia continuar o seu trajeto, tinha se perdido da sua estrada, precisava reencontrar e certo, que tanto a estrada se perdia de vez, quanto ele mesmo se perdeu no meu do confronto, de que não mais encontraria, continuam agora por outras paragens. As vespas poderiam estar todas mortas, o homem poderia ter sobrevivido e para olhares outros ele poderia até mesmo ter sido o grande campeão. Mas o homem sabia a verdade, o homem sabia no decorrer da sua estrada que as vespas ao morrerem voltaram ao todo, enquanto ele mantinha a sua estrada para encontrar este todo que ele não sabia o que era. Pois o caminho do homem era a dúvida, o seu nome pensamento e a sua bengala razão, esta sempre frágil e inútil durante esta viagem.

terça 02 março 2010 20:48 , em LITERATURA


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