o início de um hábito é como um fio invisível mas todas as vezes que repetimos o hábto , reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo, que nos prende de forma irremediável em pensamentos e ações
o início de um hábito é como um fio invisível mas todas as vezes que repetimos o hábto , reforça o fio, acrescenta-lhe outro filamento, até que se torna um enorme cabo, que nos prende de forma irremediável em pensamentos e ações
Quando não entenderes o porquê de tudo isso,
Quando não compreenderes como foi que a situação chegou a esse
ponto,
Quando te desesperares da própria vida em função do
sofrimento,
Ora.
Quando teu pai abandonar-te, sem dar-te chance de explicar,
Quando tua mãe não tiver misericórdia, julgando-te sem
compaixão,
Quando tua esposa acusar-te injustamente, sem que tu sejas
culpado,
Ora.
Quando teu marido não mais amar-te,
Quando teus filhos de tua casa forem embora,
Quando teus amigos, sem saber, julgarem-te sem que sejas
culpada,
Ora.
Quando tua luta estiver tão grande,
Quando o desespero envolver teu pranto,
Quando a amargura colorir teu rosto,
Quando a solidão tornar-te teu manto,
Ora.
A oração é o começo, ela é o fim também,
Quando não conseguires cantar porque não sentes,
Ou não conseguires ler, porque não podes,
Nada poderá impedir-te de orar ao teu Pai bendito.
Ele, com fidelidade,
Jamais te abandonou;
Mesmo no desespero do teu andar solitário
Ele ao teu lado continuou.
Mesmo quando desististe de ti próprio, Ele não descartou-te
E foi contigo, passo a passo, a guiar-te, a assistir-te.
"Não entendes isto agora" disse Ele,
"Entenderás depois"
Se por erros cometidos, ora e pede perdão.
Se por mágoas infinitas, ora e abandona-as para sempre.
Se por dúvidas sem nexo, ora e esquece-as.
Se por dívidas sem fim, ora e paga-as.
Se por recursos que não tens, ora e pede-os
Se por trabalho que te falta, ora e procura-o
A oração é o remédio,
ela é também consolo.
A oração consegue ir
onde a dor, a mágoa e o grito não vão.
Grita bem alto e não serás ouvido;
Ora baixinho e o Senhor te escutará.
E quando menos perceberes
Teu problema terá ido,
Teu coração estará tranqüilo
E tua mente bem clareada.
Porque quando tu oras ao teu Pai
Ele toma teu fardo para Si
Retira a dor e o peso dos problemas
E devolve-te o fardo leve e suave,
repleto de flocos de esperança
E sementes de felicidade.
Se nunca experimentaste depender só de Deus,
Aproveita tua dor
Aproveita o desespero
E ora.
TROCADILHOS NO AR ***
Adelmario Sampaio
Busquei os teus elementos
No tumulto desse
bar
E vi-me quase ciumento
Despertas cobiça
no ar
A minha é como tontura
Ou náuseas nesse
mar
Jogando com sentimento
Como garrafas
ao mar
Livre-me destes tormentos
Sem que me falte
o ar
Que alegre eu comemore
Com teus amigos
de bar
Só vejo teu sentimento
De adolescente
no bar
Que sem nenhum tormento
Jogando palavras
ao ar
Rosto e cabelos ao vento
Como uma crina
de mar
Vivesse o meu sentimento
Toda incerteza
de mar
Afoga os meus tormentos
Como em garrafas
de bar
E tenho como respostas
A mesma falta
de ar
Hoje passas com o vento
E sinto o orgulho
no ar
Procuro teu sentimento
Como um amigo
de bar
Mas quem sou eu pra você
Se teu desprezo
é mar
Aquelas vespas para o homem não existiam até que ele
se aproximasse delas e vê-las. Talvez pudesse mesmo viver sem saber
da sua existência até aquele momento. Mas as conheceu, as
defrontava e agora a indiferença e a inocência não poderiam ser
mais a sua cúmplice do pecado de ignorá-las. O vespeiro reluzia
naquele sol, o som, abafado pela mata, repetia quase num mantra
natural de horror o zumbido que faziam. A curiosidade instalava na
mente daquele sujeito guiando-o, não era a inocência que o guiava,
nem o caos, mas aquele sentimento último do homem que o fez cruzar
mares longínquos atrás de aventura, apenas ela, a curiosidade. O
que havia em meio aquele vespeiro? Como viviam e quantas dores já
causaram? As perguntas que surgiam eram das mais mórbidas
possíveis, como se um ente maligno se apossasse daquele corpo a
fazê-las em seu ouvido. Queria entender até a última parte daquilo
que via, desfrutando do prazer pelo novo e pelo diferente.
Mas da mesma forma que ao vê-las não poderia se tornar indiferente,
elas por sua vez não se permitiam também a ignorar a presença
daquele observador. Zumbiam mais longe da sua casa, como se prontas
a atacar a menor aproximação do estranho que apenas conjeturava as
idéias profanas. A reação era normal, se apresentavam um invasor e
um defensor, pois para a mente racional do invasor todo aquele
zumbido formavam um corpo único e amórfico, não distinguia seres
outros naquele meio.
Mas o homem se perdia nos pensamentos e mais ainda nas suas
dúvidas, será que devia colocar a mão? Se fosse machucaria-se sem
motivo aparente por algo que não o pertencia, ele mesmo sabia se
não as tivesse encontrado poderia viver sem aquilo, mas as palavras
do início renovavam-se, mas com dúvida, com pesar terrível de se
machucar e isso não desejava, a sua mão já era calejada de dores.
Assim sendo, as vespas mesmo não fazendo nada, só a sua mera
presença já tinha mudado a linha de raciocínio do homem, ele se
questionava como um louco, quem poderia se apresentar como um
invasor em potencial poderia ser o homem, mas as vespas em si
também detinham poder sobre o aquele que observava. As vespas
entravam na mente do homem, não porque quisessem, pois vespas não
querem cuidar de nada além de sua própria morada. Mas pela sua
simples presença, representando um enigma, ao mesmo tempo tão
simples e tão complexo para a cabeça daquele sujeito. Simples sim,
pois elas eram vespas e nada mais, não tinham jeito de abelhas e
nem de mariposas e mostravam toda a sua periculosidade com os seus
brilhos amarelados. Não existia, para as vespas então questão
última, apenas o risoc inerente de um invasor e que todas dariam o
seu veneno, a sua picada e a sua vida para proteger aquilo que
seria por direito dela e a que as manteria.
O homem não pensava assim, não no meio da sua complexidade, não a
complexidade física, mas a mental, queria e desejava algo mais.
Precisava de uma verdade última ou experimental sobre o quê via e o
que sentiria se pusesse a mão ali. Nem todas as vespas são iguais,
mas o que faz vespa ser vespa? Isso o assolava. A resposta poderia
ser simples, mas não para ele, queria a complexidade e se perdia
nela, diante de algo que seria simples de se explicar: elas eram
vespas, por serem vespas e terem características externas iguais às
vespas. Ele queria algo a mais. Assim a invasão das vespas no homem
se concluiu, destruindo as suas próprias verdades do que seriam
vespas, o homem só tinha uma coisa a fazer.
A sua mão entrou, a princípio havia muito vento e algo meio viscoso
e rio no fundo, lembrava um pouco o sangue, mas o homem sabia que
era apenas imaginação. Depois dor, no início no braço e depois em
várias outras partes do corpo. As vespas se defendiam com violência
diante do estranho. O estranho se defendia do outro estranho com a
destruição daquilo que era verdade para as vespas, aquilo que
realmente se importavam, que dariam a vida em defesa e se perderiam
e morreriam se não as tivesse, a sua morada. O homem num ataque
histérico abria combinando a sua dor, com as das vespas que lutavam
resistiam e caiam muitas pelas sovas que voavam no homem. As suas
mãos, ensangüentadas, abriam e reviravam do avesso àquilo que era
escuro e pútrido no vespeiro, matando a rainha que lá morava,
conhecendo, através da dor, aquilo que se escondia de tudo e de
todos.
Talvez este não fosse o único caminho para se conhecer o vespeiro,
mas naquele momento se descobria a única forma plausível de
aprendizado, pelo caminho do embate e da superação, que necessitava
do enfrentamento de ambos naquele campo de guerra. As vespas caiam,
muitas mortas, outras ainda calejando e com algumas asas quebradas,
mas depois da destruição de sua casa e rainha não viveriam por mais
tempo do que algumas horas ou talvez dias, para algumas mais
teimosas. No final, as vespas mortas serviam de alimento para
formigas e vermes que comiam os seus corpos, deixavam de ser vespas
naquele momento, passavam a ser agora novamente parte de um todo,
mas isto não duraria para sempre. Enquanto o homem, este ferido,
cansado e até mesmo agradecido por alguns conhecimentos ganhos, não
podia continuar o seu trajeto, tinha se perdido da sua estrada,
precisava reencontrar e certo, que tanto a estrada se perdia de
vez, quanto ele mesmo se perdeu no meu do confronto, de que não
mais encontraria, continuam agora por outras paragens. As vespas
poderiam estar todas mortas, o homem poderia ter sobrevivido e para
olhares outros ele poderia até mesmo ter sido o grande campeão. Mas
o homem sabia a verdade, o homem sabia no decorrer da sua estrada
que as vespas ao morrerem voltaram ao todo, enquanto ele mantinha a
sua estrada para encontrar este todo que ele não sabia o que era.
Pois o caminho do homem era a dúvida, o seu nome pensamento e a sua
bengala razão, esta sempre frágil e inútil durante esta
viagem.